CTIT nas redes
UFMG e Merck inauguram ‘hub de nanotecnologia’ no BH-TEC
UFMG e Merck inauguram ‘hub de nanotecnologia’ no BH-TEC
O termo “hub”, no campo da ciência, da tecnologia e da inovação, é usado para designar estruturas – que podem até ser físicas, mas são sobretudo virtuais – que instituições estabelecem para fomentar ações em comum. O foco é gerar um eixo concentrador que seja, ao mesmo tempo, um canal de fluxo (tal como um “hub”, equipamento de informática do qual o nome foi emprestado) capaz de dar suporte ao desenvolvimento de projetos inovadores e à aceleração do seu crescimento, por meio de acesso dinamizado a contatos, investidores, mentores e fornecedores.
Ainda que simplificada, a explicação ajuda a entender a aliança estratégica firmada na tarde desta quinta-feira, 1º de junho, entre a UFMG e a Merck, indústria química, farmacêutica e de ciências biológicas alemã que é referência internacional em seus campos de atuação.
Em cerimônia realizada no auditório do Centro de Atividades Didáticas 2 (CAD 2), as instituições inauguraram um hub de inovação sediado no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), instituição da qual a UFMG é sociofundadora. Especificamente, o objetivo do hub é acelerar o desenvolvimento de novas aplicações no campo da nanotecnologia, em que a UFMG é uma das grandes forças nacionais. Fruto de uma parceria público-privada de formato inédito no país, o hub servirá à comunidade acadêmica, à indústria e a eventuais startups e empreendedores.
“A nanotecnologia é o controle dos materiais na escala atômica e molecular, para a obtenção de novas propriedades que os tornem mais eficientes e, consequentemente, ambiental e economicamente viáveis. Ela já é vista, por exemplo, nos dispositivos eletrônicos, em cosméticos, em tecidos e em painéis solares”, explica o físico Ado Jorio de Vasconcelos, professor do Instituto de Ciências Exatas (ICEx). Um dos mais citados pesquisadores do mundo, Ado Jorio trabalha justamente com pesquisa e desenvolvimento de instrumentação científica em óptica para o estudo de nanoestruturas, com aplicações em novos materiais e biomedicina. Ele ministrou uma palestra no fim do painel de lançamento da aliança.
O pesquisador descreve as expectativas de expansão da atuação nesse setor, com a nova instalação. “Com as pesquisas científicas viabilizadas por projetos como esse, temos esperança de utilizar essa tecnologia no desenvolvimento de soluções inovadoras, como novos dispositivos que possibilitem melhor aproveitamento energético, métodos para intervenções biomédicas menos invasivas ou diagnósticos ultrarrápidos com uso de biossensores, que detectam a presença de patógenos em alimentos ou a evolução de doenças neurodegenerativas”, lista.
Segundo a Merck, a atuação do hub deve se dar nas áreas de ""sistemas de entrega nanocontrolados"", ""nanossensores ou dispositivos vestíveis"" e ""soluções mais sustentáveis também baseadas em nano"". Conforme material disponibilizado à imprensa, será oferecida a prototipagem de projetos aplicáveis a todos os setores interessados, com especial destaque para as áreas de saúde humana e animal, de alimentos e bebidas e de agricultura, campo em que tem crescido a utilização da nanotecnologia
‘Tríplice hélice’
“A UFMG está na vanguarda da produção de conhecimento em nanotecnologia”, demarca a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida. “Temos um Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno (CTNano), instalado em nosso parque tecnológico, que é referência no país. A parceria com a Merck, uma empresa de excelência na área de saúde, certamente vai incrementar esse potencial. Por meio dela, esperamos que nossas inovações cheguem mais rapidamente à sociedade”, projeta a reitora.
No breve pronunciamento que fez na cerimônia de instalação, Sandra Goulart destacou a coincidência de, no dia anterior, ter sido publicada uma matéria no jornal Valor Econômico sobre as dificuldades e, ao mesmo tempo, sobre as potencialidades da relação entre as três instâncias da chamada “tríplice hélice” da inovação, composta pela iniciativa privada, pelo poder público e pelas instituições de pesquisa. Denominado Falta de articulação afeta parcerias com universidades, o artigo demarca, ao mesmo tempo, os avanços de aproximação ocorridos nos últimos anos, os quais são ilustrados pela aliança estratégica ora firmada entre a Merck e a UFMG.
“O fato é que estamos mudando de patamar. No artigo, afirma-se que hoje as empresas reconhecem o trabalho científico da academia brasileira, valorizado internacionalmente, fala-se que as universidades sabem que o setor privado também é o berço central e essencial da inovação; e que tanto um lado quatro o outro percebem, no governo que assumiu há menos de seis meses, vontade de recuperar a base financeira e os programas de fomento à pesquisa”, demarcou a reitora.
“Eu sou integrante da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, e os debates que fizemos, no ano passado, eram bastante pessimistas. Já os deste ano estão dando um outro norte. Estamos com um governo recém-eleito, mas que já mostrou a importância que dá à ciência, com a liberação do FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e a recomposição do orçamento das universidades e institutos federais”, lembrou.
Área prioritária
“No Brasil, a nanotecnologia é uma das áreas prioritárias para desenvolvimento tecnológico pelo Governo Federal”, lembra Fabio Demetrio, líder de ciência e soluções para laboratórios da Merck Life Science do Brasil. A “Life Science” é a divisão da empresa que atua na descoberta e no desenvolvimento de medicamentos e no campo de diagnósticos, com clientes sobretudo nas áreas de biotecnologia e farmácia. “Apostamos na capacitação de pesquisadores e na colaboração entre indústria e universidade com o intuito impulsionar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras que poderão impactar a vida e a saúde por meio da ciência”, afirma.
Segundo Fabio Demetrio, a participação da Merck na aliança poderá se dar de diferentes formas, que vão da oferta de know-how diretamente a pesquisadores à oferta de cursos teórico-práticos para clientes, pesquisadores e estudantes, passando pela oferta de serviços, equipamentos e materiais. “O modelo é muito flexível”, destacou ele, em conversa com o Portal UFMG. “Queremos participar ativamente, mas com aportes que sejam de fato práticos e façam a diferença lá na frente”, disse.
Transformar patente em nota fiscal
O evento de instalação do hub contou com um painel com representantes das diferentes instâncias da cadeia produtiva da inovação do país, como as agências de fomento, os ambientes promotores de inovação, as instituições que disponibilizam capital de risco e a iniciativa privada – representada, ali, pela própria Merck. Nesse painel, Marco Aurélio Crocco, presidente do BH-TEC, falou sobre o papel do parque tecnológico na articulação da tríplice hélice. “A nossa função no BH-TEC é transformar patente em nota fiscal”, sintetizou. Segundo ele, já se buscou, no universo científico, ser “quem mais publica”, para em seguida se buscar ser “quem mais patenteia”; o passo seguinte, defendeu, é buscar ser “quem mais transfere” a tecnologia.
A UFMG conta com mais de 200 pedidos de patentes depositados junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) relacionados à área de nanotecnologia, conforme os dados mais atualizados da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT).
Do painel, ainda participaram Paulo Beirão, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), William Rospendowski, superintendente da área de inovação da Finep (empresa pública federal de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), o economista Jorge Leonardo Duarte, gerente de negócios no BDMG e especialista em crédito para inovação, e Juliana Crepalde, coordenadora executiva do CTIT.
Em sua participação no painel, Crepalde delimitou o escopo e a natureza do hub, em sua singularidade. “A aliança estratégica que estabelecemos com a Merck é um modelo novo para o país”, disse ela. “Desde a constituição do novo Marco Legal para a Ciência, Tecnologia e Inovação, a UFMG, por meio da CTIT, tem buscado utilizar suas oportunidades em sua extensão máxima, e essa aliança estratégica de agora vem nesse sentido”, demarcou.
O novo marco legal da área foi estabelecido por meio de emenda constitucional, em 2015, seguida de uma lei, de 2016, e um decreto, de fevereiro de 2018. “Por meio da ‘aliança estratégica’, nós aproveitamos diferentes grupos de excelência da universidade, organizando capital intelectual, tecnologia e infraestrutura, para constituir ambientes temáticos de inovação”, disse a coordenadora executiva do CTIT.
Juliana Crepalde explicou que a aliança com a Merck é singular tanto no aspecto administrativo, já que se estabelece não com uma unidade acadêmica específica, mas com uma unidade administrativa da Universidade, quanto no aspecto jurídico, por combinar diferentes instrumentos da legislação. Quanto à vinculação a uma unidade administrativa, e não a uma unidade acadêmica, a coordenadora explicou que ela se deu em razão da natureza plural da pesquisa que é realizada no campo da nanotecnologia. “A aliança foi firmada dessa forma porque a nanotecnologia, na UFMG, é um tema transversal. Temos vários grupos, em diferentes áreas do conhecimento, trabalhando com nanotecnologia. A CTIT entrou como partícipe da aliança justamente para que a UFMG possa ter esse olhar transversal, capaz de atingir as diferentes áreas de excelência da Universidade que atuam no tema”, demarcou.
As instituições
Líder em ciência e tecnologia fundada em 1668, a Merck – empresa de capital aberto – opera em cuidados com a saúde, ciências da vida e eletrônicos, campo em que é a líder mundial de mercado e tecnologia em cristais líquidos. A empresa tem cerca de 60 mil funcionários. Em 2021, segundo informações da própria empresa, gerou vendas de 19,7 bilhões de euros em 66 países.
Núcleo de inovação da UFMG, a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), criada em 1997, atua para favorecer e fortalecer o sistema brasileiro de inovação. Partindo da gestão dos ativos de propriedade intelectual da UFMG, seu objetivo é fazer com que os avanços gerados pelas pesquisas desenvolvidas na Universidade cheguem à sociedade na forma de novos produtos, processos e serviços.
Parque tecnológico que tem como sociofundadores a UFMG, o Governo de Minas Gerais, a Prefeitura de Belo Horizonte, a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae), o BH-TEC abriga centros públicos e privados de pesquisa e desenvolvimento e empresas que se dedicam a investigar e produzir novas tecnologias.
Ewerton Martins Ribeiro
Meio para cultura de ‘Candida auris’ pode ajudar a controlar infecção hospitalar grave
Meio para cultura de ‘Candida auris’ pode ajudar a controlar infecção hospitalar grave
Na comparação com a quantidade de produtos para diagnóstico de bactérias e vírus, o número de testes específicos para identificação de fungos ainda é muito reduzido. Esse é o caso da levedura Candida auris, fungo difícil de combater e que pode causar infecção sistêmica em pacientes internados e bastante debilitados, geralmente em UTI. A infecção pode levar à morte.
Na busca por uma forma mais ágil e prática de enfrentar esse problema, os pesquisadores do Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG desenvolveram um meio de cultura Candida auris Selective, ou CAS, que pode ser usado como coadjuvante no processo de controle de infecções hospitalares causadas por essa levedura. O pedido de depósito de patente do produto está em andamento.
Meios de cultura são preparações que fornecem nutrientes para que os microrganismos se desenvolvam mais rapidamente, em ambiente controlado. Como se trata de algo muito reduzido, o crescimento exagerado do organismo permite sua visualização a olho nu. “Os testes mostraram sensibilidade de 92,9% e especificidade de 100% para a Candida auris”, afirma a professora Susana Johann, orientadora do estudo.
Método dispensa treinamento
Segundo a farmacêutica Viviane Cata Preta Souza, mestre em Microbiologia (Mestrado Profissional em Microbiologia Aplicada, do ICB), também autora da pesquisa, o novo método pode ser usado principalmente em hospitais, tanto em pacientes como em equipamentos. “Além de mais barato e mais fácil de manusear do que os métodos disponíveis, ele dispensa treinamento técnico para seu uso e para a interpretação dos resultados”, explica.
Em caso de resultado positivo, os profissionais dos hospitais podem agir rapidamente, por meio de medidas de biossegurança, para confirmar o resultado – a ideia é que sejam feitos testes mais específicos em laboratórios de referência. Se confirmado o resultado positivo, o tratamento adequado pode ser imediatamente adotado. As pessoas diagnosticadas também teriam acesso mais rápido ao início da solução, o que aumenta as chances de cura.
“Acreditamos que essa solução pode ser muito eficaz como teste auxiliar na identificação da Candida auris, ao viabilizar a testagem de um número maior de amostras. O resultado final esperado é a preservação de mais vidas, melhor qualidade de vida para pacientes e profissionais de saúde, bem como a redução do uso de recursos financeiros no processo de limpeza, transporte e exames de triagem”, enumera a professora Susana Johann.
A infecção
Descrita pela primeira vez em 2009, no Japão, a Candida auris se dispersou por todos os continentes, com exceção da Antártica. No Brasil, ela só chegou em 2020. O problema é que, em algumas pessoas, a levedura pode entrar na corrente sanguínea e se disseminar pelo corpo. Essa infecção pode decorrer de um desequilíbrio no sistema imunológico, de procedimentos médicos invasivos ou de lesões graves, como queimaduras.
O risco é maior para os pacientes hospitalizados por muito tempo, aqueles que têm um cateter venoso e os que já receberam antibióticos ou medicamentos antifúngicos. Se a pessoa se tornar imunossuprimida, corre maior risco de infecções por outros fungos comuns. Quando a levedura causa infecções invasivas, chamadas de candidemia, nem sempre os medicamentos usados dão conta do tratamento.
A candidemia é uma forma grave de infecção no sangue, cuja incidência tem aumentado recentemente. Segundo pesquisa realizada entre 2008 e 2012, em 22 hospitais no Brasil, a taxa de mortalidade em 30 dias é de 60,8%. Um levantamento realizado em oito hospitais no estado do Paraná, em 2016 e 2017, indicou incidência de 1,20 para cada mil admissões e taxa de 0,27 para cada mil pacientes-dia. A taxa de mortalidade registrada foi de 48%.
Marcus Vinicius dos Santos | Assessoria de Comunicação do ICB
Duas novas espécies de leveduras da Amazônia são descobertas por pesquisadores da UFMG
Duas novas espécies de leveduras da Amazônia são descobertas por pesquisadores da UFMG
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, em parceria com colegas da Universidade Federal do Tocantins e da University of Western Ontario (Canadá), descobriram duas novas espécies da levedura Spathaspora, em biomas da Amazônia brasileira. A Spathaspora brunopereirae sp. nov. e a Spathaspora domphillipsii sp. nov. foram nomeadas em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, assassinados em junho de 2022, no Vale do Javari, extremo-oeste do Amazonas. As novas espécies e suas aplicações potenciais foram apresentadas em artigo publicado na revista International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology.
De acordo com o microbiologista e professor Carlos Augusto Rosa, coordenador do INCT Leveduras e orientador das pesquisas que resultaram no artigo, quatro isolados (colônias puras) de espécies de Spathaspora (duas de cada espécie inédita) foram recuperados de madeira em decomposição coletada em biomas da Amazônia brasileira. “Dois deles foram obtidos em diferentes locais da floresta amazônica, no estado do Pará, e os outros dois, em uma região de transição, entre a floresta e o ecossistema do Cerrado, no estado de Tocantins"", conta Rosa. O sequenciamento e a análise das amostras foram realizados no Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos do ICB
.
Os testes mostraram que ambas as espécies são capazes de converter d-xilose em etanol e também em xilitol, um tipo de adoçante natural que pode ser usado por diabéticos. ""Isso significa que esses microrganismos têm características com diversas aplicações biotecnológicas, entre as quais está a produção de xilitol e de combustível"", explica. A produção de xilitol e bioetanol tendo como base a xilose, oriunda de resíduos vegetais, por exemplo, requer conhecimento tanto das condições experimentais quanto das enzimas responsáveis pelo metabolismo desse açúcar, cujo nome vem do grego (xylon é madeira).
Diversidade pouco explorada
Há 15 anos, o grupo de pesquisa de Carlos Rosa coleta leveduras de biomas de floresta amazônica nos estados do Amazonas, Pará e Tocantins. Também foram estudados a Mata Atlântica e o Cerrado. O objetivo central do projeto é determinar a biodiversidade desses organismos em biomas brasileiros e descobrir novas espécies e aquelas de interesse biotecnológico. O bioetanol pode ser produzido com hidrolisados hemicelulósicos obtidos de resíduos vegetais, como casca e sementes de cupuaçu, casca de arroz, palha de milho e bagaço de cana de açúcar.
Os cientistas destacam o fato de que a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, representa 40% das florestas tropicais remanescentes e responde por 10% da biodiversidade conhecida do planeta. ""Mas, apesar disso, esse bioma continua sofrendo com as mudanças climáticas, desmatamento e queimadas"", salienta Carlos Rosa. Ele chama a atenção para o fato de que a riquíssima biodiversidade microbiana da região ainda é pouco explorada no Brasil como fonte de inovações biotecnológicas. “Nos trabalhos realizados na região sobre biodiversidade de leveduras, geralmente de 30% a 50% das espécies encontradas desses microrganismos são novas para a ciência”, informa o professor.
“Daí a importância das pesquisas nessa área e também dos esforços de Bruno e Dom para preservar o bioma da região"", afirma Rosa. Ainda segundo o cientista, batizar as duas novas espécies com os nomes deles “é reconhecer, valorizar e homenagear a dupla pelo trabalho em defesa do meio ambiente”.
O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia do Canadá.
INCT Leveduras
O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Leveduras: Biodiversidade, preservação e inovações biotecnológicas, ou INCT Leveduras, integra o grupo de novos institutos de pesquisa que devem entrar em operação ainda no primeiro semestre de 2023. O CNPq selecionou dezenas de laboratórios considerados capazes de articular e agregar os melhores grupos de pesquisa do Brasil “em áreas de fronteira da ciência e em campos estratégicos para o desenvolvimento sustentável do país, em nível competitivo internacionalmente”.
O Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) selecionou seis novos centros de pesquisa da UFMG, cinco deles sediados no Instituto de Ciências Biológicas (ICB). O objetivo do Programa é estimular o desenvolvimento da ciência e da tecnologia de ponta “associada a aplicações, promovendo a inovação e o espírito empreendedor, em articulação com empresas inovadoras, nas áreas do Sistema Brasileiro de Tecnologia”, segundo o CNPq.
O INCT Leveduras atua para gerar conhecimento sobre as leveduras da biodiversidade brasileira e promover sua utilização sustentável. A equipe do projeto é composta de 25 docentes e conta com 180 colaboradores, entre professores, bolsistas e técnicos. Os pesquisadores integram os quadros de 11 instituições, de norte a sul do Brasil, e de universidades estrangeiras.
Artigo: Spathaspora brunopereirae sp. nov. and Spathaspora domphillipsii sp. nov., two d-xylose-fermenting ascosporogenous yeasts from Amazonian Forest biomes
Autores: Ana Raquel O. Santos, Gisele F. L. Souza, Katharina O. Barros, Flávia B. M. Alvarenga, Mariana R. Lopes, Láuren M. D. Souza, Luiz H. Rosa, Aristóteles Góes-Neto, Paula B. Morais, Marc-André Lachance, Carlos A. Rosa
Publicação: 10 de março de 2023, no International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology
Dayse Lacerda | Assessoria de Comunicação do ICB
BH-TEC inaugura "hub" de inovação
BH-TEC inaugura "hub" de inovação
Foi inaugurado nesta quarta-feira, dia 15, o Hub de Inovação do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), ambiente que abrigará todas as etapas e atividades de desenvolvimento do empreendedorismo de base científico-tecnológica, como incubação, coworking, aceleração, pós-aceleração, softlanding, consultorias e uma oficina de fabricação digital (Fablab).
O evento reuniu a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, o presidente da Fapemig, Paulo Sérgio Lacerda Beirão, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Tadeu Martins Leite, e o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Gabriel Azevedo, entre outras autoridades. O ambiente é resultado de parceria entre UFMG, a Prefeitura de BH e o governo de Minas.
Sandra Goulart reforçou a importância da tríplice hélice, formada pela universidade, pelo poder público e pela indústria. ""Somos líderes nacionais no registro de patentes. Estamos à frente porque, para nós, a transferência de tecnologia é muito importante pois sabemos que todos ganham com esse processo: universidade, cidade e estado "", afirmou.
'Porto seguro'
O prefeito Fuad Noman classificou o Parque Tecnológico como ""porto seguro"" para o desenvolvimento da tecnologia. ""O BH-TEC é importante justamente por oferecer um porto seguro para a tecnologia ser desenvolvida pelos estudantes, pesquisadores e empresas. Que o BH-TEC seja cada vez mais esse ponto de aglutinação de que o Brasil e o mundo precisam, e Belo Horizonte acolhe"", afirmou.
Cerca de R$ 2,7 milhões foram investidos na obra, recursos divididos quase igualmente entre a Fapemig e a PBH. Com 550 metros quadrados distribuídos em um andar do prédio do BH-TEC, o ambiente conta com coworking, salas de reunião, laboratório maker, zona de descompressão e diversas outras áreas de trabalho e convivência.
Para cumprir seu propósito, o hub abrigará serviços de gestão da inovação e receberá programas de aceleração e incubação de iniciativas de alto potencial tecnológico.
O rol de atividades do hub contempla, ainda, soft landing para possibilitar que empresas brasileiras e estrangeiras prospectem negócios em Minas Gerais e consultoria em transferência de tecnologia, entre outras frentes de assessoramento empresarial.
Mais informações sobre o empreendimento constam de matéria publicada na página do BH-TEC.
Com Assessoria de Comunicação do BH-TEC
Carne de frango é cultivada em laboratórios do ICB-UFMG e do Cefet
Carne de frango é cultivada em laboratórios do ICB-UFMG e do Cefet
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) isolaram células-tronco do tecido muscular do frango e as reproduziram em laboratório, gerando, em apenas duas semanas, um pequeno pedaço de carne muscular. O estudo é liderado pelas professoras Erika Cristina Jorge e Luciana Andrade, ambas do Departamento de Morfologia do ICB.
“Isolamos o que chamamos de ‘células satélites’, que nada mais são do que células-tronco presentes em todo músculo. Exploramos o potencial dessas células por meio do cultivo, oferecendo a elas os nutrientes necessários para sua proliferação”, explica Érika Jorge.
Segundo ela, todo o processo de “produção” da carne ocorre sem alteração genética das células. “Quando fazemos academia, pensando na hipertrofia muscular, ou quando nos machucamos, os músculos se proliferam por meio de regeneração. O método que desenvolvemos baseia-se nessa lógica, ou seja, usamos a capacidade natural das células musculares para gerar um novo tecido”, explica Jorge.
Como a produção de carne de frango ainda está em âmbito laboratorial, a professora destaca que, caso o estudo evolua para o cultivo de carne em larga escala para consumo, o processo terá que ser feito em biorreatores industriais.
Biomaterial
A participação dos pesquisadores do Cefet foi essencial para o estudo, porque desenvolveram o biomaterial que possibilita a proliferação das células musculares. Segundo Erika Jorge, trata-se de um biomaterial cujo uso é inédito e que faz com que as células se reproduzam quando colocadas sobre ele.
“Sem o biomaterial desenvolvido no Cefet, as células musculares não crescem a ponto de formar carne em condições de cultura. Há alguns grupos que estão fazendo pesquisas parecidas ao redor do mundo para o cultivo de carne de boi, mas nosso estudo está pesquisando a carne de frango. Nossa intenção é desenvolver um alimento que possa ser consumido por pessoas que queiram ingerir proteína de origem animal não resultantes de abate, de desmatamento e da exploração irracional de recursos naturais"", anuncia a professora do ICB.
Apesar de considerada segura para a alimentação humana, a carne cultivada pelo grupo do ICB ainda deve demorar para estar disponível no mercado, visto que o consumo desse tipo de produto ainda não é regulamentado no Brasil.
Outras aplicações
Além do consumo, a tecnologia desenvolvida na UFMG pode ter outras aplicações, como a geração de tecido humano para enxertia e o uso para o teste de fármacos em animais. No primeiro caso, são necessárias amostras do tecido muscular do paciente que receberá o enxerto.
“Esse método pode ser usado nas situações em que a pessoa sofre um acidente ou lesão tão grande que suas células-tronco residentes não conseguem se regenerar sozinhas. No caso de testes de fármacos, podemos reproduzir as células animais e colocar os medicamentos em contato com elas, poupando o animal dos testes mais invasivos”, explica Jorge.
A pesquisa de cultivo de carne de frango em laboratório é integralmente financiada pelo The Good Food Institute, organização internacional sem fins lucrativos que oferece apoio financeiro a estudos destinados à inovação do setor de proteínas alternativas. O investimento é da ordem de 250 mil dólares. “A primeira carne feita em laboratório foi produzida na Inglaterra, em 2010, e custou cerca de 330 mil dólares. Esse tipo de estudo costuma ser caro, mas pode gerar vários tipos de benefícios para a sociedade”, conclui a professora Erika Jorge.
(Texto de Luana Macieira)
UFMG terá único laboratório no Brasil para terapias de doenças raras
UFMG terá único laboratório no Brasil para terapias de doenças raras
Está sendo estruturado, no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, um laboratório para produção de medicamentos feitos por terapia genética destinados ao tratamento de doenças raras, como a Síndrome de Dravet. A síndrome é uma doença progressiva e incapacitante, caracterizada por uma epilepsia grave, resistente a tratamento. Ainda sem cura, a enfermidade gera, entre outras consequências, défices cognitivos, problemas motores e características do autismo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) não dispõe de terapia específica para esse tipo de doença, a não ser um conjunto de medicamentos que, formulados para outros tratamentos, vêm ajudando a combater a doença quando são usados de forma associada. Assim, a expectativa é que o laboratório, quando concluído e posto em atividade, possa ser mobilizado para também colaborar com a saúde pública brasileira no combate à síndrome.
O projeto do laboratório – que propõe uma plataforma biotecnológica baseada no uso da tecnologia de CRISPR-Cas9 e funcionará junto ao centro de produção de vetores virais para tecnologia de CRISPR-Cas9 do ICB – foi contemplado com financiamento de cerca de R$ 2 milhões, provido pela Finep Inovação e Pesquisa, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O laboratório é coordenado pelo professor Antônio Oliveira, do Departamento de Farmacologia do ICB.
O subcoordenador do laboratório, Vinícius Toledo Ribas, professor do Departamento de Morfologia do ICB, explica os benefícios agregados que devem advir da criação dessa infraestrutura. “Além da produção de terapias que têm altos impactos para a saúde pública e para a sociedade, incluindo elevados custos para o SUS [atualmente, as terapias para doenças como a Síndrome de Dravet precisam ser importadas], a plataforma deve funcionar como celeiro para formação de recursos humanos nessa área específica”, detalha.
CRISPR-Cas9
O sistema CRISPR-Cas9, explica Vinícius Ribas, é uma ferramenta de edição de genomas mais rápida e fácil de ser utilizada do que as ferramentas convencionais. Na avaliação do pesquisador, “ele constitui uma abordagem promissora para o desenvolvimento da terapia genética tanto em animais como em células humanas, podendo contribuir para o avanço do conhecimento científico na área de neurociências e resultar em novos tratamentos para diferentes doenças, entre as quais, as neurológicas”.
Os recursos liberados pela Finep Inovação e Pesquisa vão subsidiar a montagem e a manutenção do laboratório e de suas pesquisas pelos próximos três anos, a contar de 2023. Os recursos vão cobrir despesas com bolsa de estudos e compra de equipamentos e insumos.
As universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), de Alfenas (Unifal), de Ouro Preto (Ufop) e de São Paulo (Unifesp), além da Universidade de São Paulo (USP) também têm pesquisadores envolvidos nos trabalhos da nova plataforma. No âmbito da UFMG, o projeto, além do ICB, conta com participação da Faculdade de Medicina. Pesquisadores da Alemanha e dos Estados Unidos também colaboram com a iniciativa.
Sobre a Síndrome de Dravet
Doença genética e sem cura, a Síndrome de Dravet também é conhecida como epilepsia mioclônica grave. Trata-se de uma alteração do funcionamento do cérebro que, geralmente, manifesta-se no primeiro ano de vida de crianças do sexo masculino.
Os principais sintomas são a ocorrência de múltiplas convulsões por dia e regressão no desenvolvimento neurológico, afetando, por exemplo, a fala e a locomoção.
O tratamento se dá por meio de dieta específica e combinação de medicamentos não específicos, usados para tratamento de outros tipos de epilepsia, fornecidos pelo SUS. A terapêutica própria baseia-se no uso do fármaco Stiripentol, ainda não disponível no Brasil.
Dayse Lacerda | ICBDoenças raras
Leveduras líquidas desenvolvidas na UFMG chegam ao mercado
Leveduras líquidas desenvolvidas na UFMG chegam ao mercado
Desenvolvida no Instituto de Ciências Biológicas (ICB), a tecnologia de leveduras líquidas (usada para iniciar o processo de fermentação na produção de cachaça e cervejas artesanais) passou pelo processo de licenciamento e será comercializada pela empresa Laboratório da Cerveja. O produto é o primeiro dessa natureza em Minas Gerais.
A tecnologia foi desenvolvida por seis pesquisadores do Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Leveduras, do Departamento de Microbiologia. Segundo o professor Carlos Augusto Rosa, ela é de fácil execução e será fornecida sob demanda, de acordo com as características da cerveja a ser fermentada.
""Todas as linhagens de leveduras utilizadas são naturais, sem modificação genética. Esses microrganismos têm vantagens metabólicas em relação a algumas leveduras comerciais, geralmente disponíveis na forma seca ou desidratada”, acrescenta.
Novo perfil
De acordo com a bióloga Luciana Brandão, as leveduras isoladas do território nacional podem contribuir muito para a busca de um novo perfil para as cervejas brasileiras. “O resultado é possível porque elas podem ser utilizadas em conjunto com frutos, fermentadas em barris de madeiras, por meio de técnicas diferenciadas. São espécies e linhagens novas para a produção de cerveja, nunca foram usadas em escala industrial”, reforça.
Luciana Brandão afirma que as leveduras líquidas nacionais também beneficiam os produtores, pois reduzem o tempo de fermentação. “São leveduras frescas, prontas para o uso. Isso diminui o tempo de tanque e, consequentemente, os custos da produção. Além disso, elevam a qualidade sensorial da bebida, propiciando uma experiência singular aos consumidores”, informa.
O lançamento das leveduras líquidas será em abril, mas as encomendas já podem ser feitas pelos canais de comunicação do Laboratório da Cerveja.
Dayse Lacerda | Assessoria de Comunicação do ICB
Último mês para submissão de propostas na chamada do Compete Minas - Tríplice Hélice
Último mês para submissão de propostas na chamada do Compete Minas - Tríplice Hélice
Empresas e ICTs interessadas em receber a subvenção econômica do Compete Minas poderão submeter projetos até 3/3/2023.
O Compete Minas busca impulsionar os setores econômicos do estado e aproximar as instituições de ensino e pesquisa à iniciativa privada. Dividido em duas linhas, a primeira intitulada Empresas, disponibiliza na segunda rodada mais de R$ 80 milhões para a iniciativa privada, startups e cooperativas mineiras desenvolverem projetos de inovação tecnológica em produtos ou processos de maneira independente ou em parceria com outras instituições.
Já a segunda linha, Tríplice Hélice, voltada para as instituições de ciência e tecnologia (ICT), prevê um aporte na segunda rodada de mais de R$ 80 milhões para universidades públicas e privadas realizarem projetos de pesquisa e inovação em parceria com o setor privado.
O programa é uma parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) e a Fapemig, com o apoio da Fiemg, Faemg, Fecomércio, Ocemg e do Sebrae.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, o programa é uma importante ação do Governo de Minas para estimular o crescimento das empresas no estado: “Ao incentivar o acesso a recursos para inovação junto ao setor privado, o Estado se posiciona como amigo do empreendedor, impulsionando empresas a criarem diferenciais para enfrentar a concorrência. O Compete Minas oferece melhores condições para que empreendimentos mineiros se desenvolvam e, consequentemente, contribuam para gerar oportunidade de emprego e renda aos mineiros”, enfatiza.
Mais informações no site da Fapemig.
Pesquisadores e Empresas que tenham interesse em participar do programa podem entrar em contato com a CTIT - Núcleo de Inovação da UFMG pelo ramal 31 3409-6787 ou transferencia@ctit.ufmg.br
ICB vai construir microscópios para observar amostras vivas em tempo real
ICB vai construir microscópios para observar amostras vivas em tempo real
Três professores do ICB – Christopher Kushmerick, do Departamento de Fisiologia e Biofísica, Gregory Kitten e Vinicius Toledo Ribas, ambos do Departamento de Morfologia – participam da construção dos microscópios Flamingo, cuja tecnologia Folha de Luz gera imagens 3D de alta resolução de amostras biológicas vivas ou fixadas. O trabalho, que integra o projeto Building flamingo light sheet microscopes in South America, possibilitará que Brasil, Chile e Uruguai contem, até o fim deste ano, com as primeiras unidades desse sistema, que pode proporcionar avanços nas pesquisas desenvolvidas nos três países. O projeto é financiado pela Chan Zuckerberg Initiative (CZI).
Segundo o professor Gregory Kitten, um dos investigadores envolvidos na empreitada, além da instalação dos microscópios modulares em laboratórios estratégicos, o objetivo do projeto é promover a pesquisa, a colaboração científica e a educação, por meio de cursos, workshops e conferências centrados na tecnologia Folha de Luz. “Pretendemos facilitar o uso e a disseminação dessa tecnologia, diminuindo gastos com equipamentos. Vamos instalar três microscópios transportáveis, acessíveis e compartilháveis entre pesquisadores e laboratórios, de modo a alcançar uma abrangência significativa na América do Sul”, antevê.
A técnica de microscopia de Folha de Luz propicia a obtenção de imagens de espécimes biológicos vivos ou fixados, em alta resolução, durante longos períodos de tempo, com impactos mínimos nas amostras causados pela incidência de luz. Ela permite verificar o crescimento de uma planta em tempo real, por exemplo, e pode ser empregada em pesquisas que ajudem a compreender a saúde humana e desenvolver novos medicamentos.
Flamingo na UFMG
Para iniciar o projeto, as peças serão adquiridas na Alemanha, onde será realizado um workshop para treinamento de pesquisadores e técnicos dos laboratórios estratégicos. Eles vão aprender a construir, usar e fazer manutenção de seus microscópios, começando com a configuração mais adequada para atender às necessidades imediatas de pesquisa em suas áreas. Cada aparelho será enviado ao país de destino com peças sobressalentes necessárias para alterar as configurações.
O Sistema Flamingo da UFMG será montado no Centro de Aquisição e Processamento de Imagens (Capi) do ICB, sob a responsabilidade do seu diretor, professor Christopher Kushmerick. De acordo com Gregory Kitten, os microscópios Flamingo já são usados em laboratórios nos Estados Unidos e na Europa, mas não são equipamentos comerciais. O custo de produção de cada unidade é de US$100 mil (R$500 mil).
Ampliando a compreensão
A Chan Zuckerberg Initiative é uma organização filantrópica fundada e presidida por Mark Zuckerberg, do Facebook, e sua esposa, Priscilla Chan. O Programa Imaging, da CZI, apoia pesquisadores que estão expandindo o acesso e treinamento em tecnologias de imagem e desenvolvendo tecnologias de ponta para aumentar a compreensão sobre processos biológicos no corpo humano, capazes de gerar descobertas sobre como curar, prevenir ou controlar doenças.
O projeto, liderado por Alenka Lovy, diretora do Centro de Pesquisa em Microscopia da Universidade Mayor, no Chile, reúne 11 cientistas e é um dos 14 finalistas do Programa Imaging.
Dayse Lacerda | Assessoria de Comunicação Social e Divulgação Científica do ICB
CTVacinas busca voluntários de 18 a 54 anos para testes da SpiN-TEC
CTVacinas busca voluntários de 18 a 54 anos para testes da SpiN-TEC
A equipe do CTVacinas, responsável pelo desenvolvimento da SpiN-TEC MCTI UFMG, vacina contra a covid-19 100% brasileira, está em busca de 10 voluntários entre 18 e 54 anos para concluir a fase 1 dos testes clínicos do imunizante. Os critérios para participar dos ensaios são ter idade entre 18 e 54 anos, ser saudável, não ter tido covid-19, ter recebido as duas doses iniciais da vacina CoronaVac e uma dose de reforço da Pfizer (há pelo menos nove meses), residir em Belo Horizonte durante os 12 meses de estudo e, no caso das mulheres, não estarem grávidas nem amamentando.
Os interessados em participar devem fazer o cadastro pela internet ou pelo Whatsapp (31-99902-7292). Uma vez inscritos, os voluntários passarão por triagens e serão submetidos a avaliações clínicas e laboratoriais conduzidas pelo CTVacinas e pela Unidade de Pesquisa Clínica em Vacinas (UPqVac), instalada na Faculdade de Medicina da UFMG.
O coordenador dos testes clínicos da vacina, professor Helton Santiago, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, explica que são dois grupos de voluntários: o primeiro reúne pessoas de 18 a 54 anos; o segundo, de 55 a 85 anos. O segundo grupo já está concluído, mas há dificuldade para fechar o primeiro grupo. ""Essa é a primeira fase de segurança da vacina, e os voluntários precisam ser saudáveis para que seja possível identificar as situações em que uma reação adversa decorre do imunizante ou de outro problema de saúde. Além disso, essas pessoas não podem ter contraído covid-19 e precisam ter tomado vacinas específicas anteriormente. Não é fácil encontrar voluntários que se enquadrem em todos os requisitos exigidos"", pondera Santiago.
Fases
Nesta primeira fase, os voluntários recebem uma dose da vacina, que pode ter concentração baixa, média ou alta. A intenção é ""verificar os dados de segurança das doses e de imunologia, ou seja, entender como a vacina estimulou o sistema imunológico e qual dose é a ideal para a segurança do paciente"", explica Santiago.
Posteriormente, na fase 2, que contará com 360 voluntários, os critérios serão ter idade entre 18 e 85 anos, ser saudável, ter recebido as duas doses iniciais da vacina CoronaVac ou da Astrazeneca e uma ou duas doses de reforço da Pfizer ou AstraZeneca e residir em Belo Horizonte durante os 12 meses de estudo. Mulheres não podem estar grávidas nem amamentando. O fato de já ter contraído covid-19 não impedirá a pessoa de se habilitar para a segunda fase dos testes.
Luana Macieira
UFMG realiza licitação para acompanhamento e proteção de ativos imateriais em âmbito internacional
UFMG realiza licitação para acompanhamento e proteção de ativos imateriais em âmbito internacional
Com gestão sob responsabilidade da CTIT - Núcleo de Inovação da UFMG, Universidade conta com mais de 400 patentes internacionais em todas as áreas do conhecimento
A Universidade Federal de Minas Gerais, torna público que por intermédio do Departamento de Logística de Suprimentos e de Serviços Operacionais - DLO/UFMG realizará licitação, na modalidade Pregão, na forma Eletrônica, sob a forma de execução indireta, para a escolha da proposta mais vantajosa para a contratação de empresa especializada em prestação de serviços de acompanhamento e proteção de ativos imateriais da UFMG em âmbito internacional, conforme condições, quantidades e exigências estabelecidas em edital.
A sessão virtual será realizada no próximo dia 27, às 9h, no horário de Brasília, no Portal de Compras do Governo Federal, com critério de julgamento: menor preço global e regime de execução: empreitada por preço unitário. A licitação será realizada em único item. As empresas interessadas devem ser credenciadas no nível básico do registro cadastral no SICAF, que permite a participação dos interessados na modalidade licitatória Pregão, em sua forma eletrônica. Já o cadastro no SICAF também deverá ser feito no Portal de Compras do Governo Federal meio de certificado digital conferido pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP - Brasil.
Anexadas ao Edital estão disponíveis para elaboração das propostas: Termo de Referência, Minuta de Termo de Contrato, Modelo de Proposta, Modelo de declaração de contratos firmados com a iniciativa privada e a Administração Pública, Declaração de Sustentabilidade Ambiental e Declaração de Inexistência de Relação Familiar ou de Parentesco. Para mais informações clique aqui.
UFMG recruta voluntários de 55 a 85 anos para testes da SpiN-TEC, vacina contra a covid-19
UFMG recruta voluntários de 55 a 85 anos para testes da SpiN-TEC, vacina contra a covid-19
A equipe do CTVacinas, responsável pelo desenvolvimento da SpiN-TEC MCTI UFMG, vacina contra a covid-19 100% brasileira, está em busca de voluntários para os testes da fase 1 do imunizante. Já se inscreveram mais de 1.500 pessoas, porém poucas pertencentes ao grupo de 55 a 85 anos de idade.
Helton Santiago, coordenador dos testes clínicos da vacina e professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, explica que são dois grupos de voluntários: o primeiro reúne pessoas de 18 a 54 anos; o segundo, de 55 a 85 anos. Segundo ele, há dificuldade para conseguir voluntários do último grupo, uma vez que os candidatos devem preencher todos os requisitos para participar dos testes.
""Dos 1.500 voluntários já inscritos, 150 se mostraram elegíveis para a fase 1, mas poucos têm entre 55 e 85 anos. Essa é a primeira fase de segurança da vacina, e os voluntários precisam ser saudáveis para que seja possível identificar as situações em que uma reação adversa decorre do imunizante ou de outro problema de saúde. Além disso, essas pessoas não podem ter contraído covid-19 e precisam ter tomado vacinas específicas anteriormente. Não é fácil encontrar voluntários que se enquadrem em todos os requisitos exigidos"", pondera Santiago.
Os interessados em participar dos testes devem fazer o cadastro pela internet ou pelo Whatsapp (31-99902-7292). Uma vez inscritos, eles passarão por triagems e serão submetidos a avaliações clínicas e laboratoriais conduzidas pelo CTVacinas e pela Unidade de Pesquisa Clínica em Vacinas (UPqVac), instalada na Faculdade de Medicina da UFMG.
Na primeira fase, os voluntários recebem uma dose da vacina, que pode ter concentração baixa, média ou alta. A intenção é ""verificar os dados de segurança das doses e de imunologia, ou seja, entender como a vacina estimulou o sistema imunológico e qual dose é a ideal para a segurança do paciente"", explica Santiago.
A fase 1 dos testes deve se estender até março do ano que vem. A partir de abril de 2023, os voluntários serão chamados para a fase 2 e, no final de 2023, para a terceira e última etapa, que contará com 5 mil participantes de todo o país.
Requisitos
Em relação à fase 1, que reunirá 72 voluntários, os critérios para participar dos testes são ter idade entre 18 e 85 anos, ser saudável, não ter tido covid-19, ter recebido as duas doses iniciais da vacina CoronaVac e uma dose de reforço da Pfizer (há pelo menos nove meses), residir em Belo Horizonte durante os 12 meses de estudo e, no caso das mulheres, não estarem grávidas nem amamentando.
Para a fase 2 dos testes, que contará com 360 voluntários, os critérios são ter idade entre 18 e 85 anos, ser saudável, ter recebido as duas doses iniciais da vacina CoronaVac ou da Astrazeneca e uma ou duas doses de reforço da Pfizer ou AstraZeneca e residir em Belo Horizonte durante os 12 meses de estudo. Mulheres não podem estar grávidas nem amamentando. O fato de já ter contraído covid-19 não impedirá a pessoa de se habilitar para a segunda fase dos testes.
Luana Macieira