COVID-19

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Virologistas da UFMG detectam genoma de novo coronavírus em locais públicos de Belo Horizonte

 

A ideia para o trabalho surgiu quando os pesquisadores perceberam que, apesar da grande disseminação de notícias e falas de especialistas alertando que o novo coronavírus pode ser transmitido pelo contato de pessoas com locais públicos contaminados, a literatura ainda possui um gap sobre o assunto. “Há poucos dados a respeito da presença do vírus em superfícies públicas, como pontos de ônibus, corrimões de terminais de ônibus, praças, etc.”, esclarece Jônatas Abrahão, professor do Departamento de Microbiologia da UFMG e coordenador do Laboratório de Vírus, no qual nasceu a proposta.

 

 

Um dos locais escolhidos para a pesquisa foi a região hospitalar, na Avenida Alfredo Balena, na Alameda Ezequiel Dias e em alguns hospitais da região Centro-Sul. “Nós coletamos amostras em frente aos hospitais, no piso, nunca dentro deles, e nos pontos de ônibus relacionados a esses hospitais”, explica Jônatas Abrahão.

 

 

Procedimentos e resultados

Ao todo foram coletadas 101 amostras com o uso de um Swab, uma espécie de cotonete que foi passado de maneira vigorosa nas superfícies. Elas foram colocadas em uma solução de transporte capaz de inativar o vírus sem eliminar seu material genético. A existência ou não desse genoma é o que o grupo deveria averiguar na fase seguinte, no laboratório.

 

 

“O resultado indica que o vírus está presente no ambiente da cidade, contaminando diversas superfícies. Detectamos o RNA, o genoma do vírus, não o vírus infeccioso, mas isso é um fortíssimo indício de que ele pode infectar as pessoas que eventualmente tenham contato com esses ambientes, ao levarem as mãos ao rosto sem a prévia higienização”, alerta Jônatas Abrahão.

 

Assim que os resultados foram comprovados a equipe entrou em contato com a Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG, que por sua vez procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para que ela procedesse à desinfecção dos locais, um trabalho que já tem sido feito em áreas hospitalares da cidade. Essa desinfecção foi realizada pela Prefeitura com o uso de sabão em pó e hipoclorito de sódio 1%. Todos os pontos contaminados foram testados novamente pelos virologistas da UFMG, que não detectaram mais o RNA viral nas amostras.

 

 

“Fazemos parte do chamado grande laboratório UFMG, que vem auxiliando a Secretaria de Estado de Saúde nos diagnósticos da Covid-19, então a reitoria tem centralizado as ações, tanto de diagnostico quanto de divulgação de resultados. Se for de interesse de todos queremos sim expandir as análises”, conclui o professor, que submeterá a revistas médicas como principal autor, ainda nesta sexta-feira, um artigo aprofundando o trabalho realizado pela equipe da UFMG. O material também será divulgado como preprint.

 
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